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quinta-feira, 23 de junho de 2011

A história de Johnny

A seguir, um dos momentos da oficina realizada pelo subgrupo de reinserção social, do PET-Saúde Metal: Crack, Álcool  e outras drogas, no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPs ad) de Jequié-BA). Neste momento foi apresentado a historia de Johnny através de um vídeo e em seguida proposto a elaboração de cartazes com imagens, palavras ou desenhos que expressassem os medos e dificuldades dos usuários do serviço para o retorno de uma vida que cada um almeja ter.

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Johnny conheceu as drogas com 12 anos de idade, quando entrou para o ensino médio de uma escola pública da sua cidade. Era considerado um dos melhores alunos de sua sala, que era composta por garotos mais velhos que repetiam o ano e que já estavam envolvidos com o mundo das drogas.

 

Johnny começou achar um charme usar o cigarro comum, segundo ele se sentia mais homem e cobiçado pelas mulheres, assim como mostrava os comerciais da televisão. Depois Johnny passou usar o álcool na companhia dos amigos, até que um dia teve a coragem de saciar sua curiosidade e experimentou um cigarro de maconha oferecido por amigos e gostou. A partir daí, foram cerca de quatro anos fumando maconha com uma frequência cada vez maior. Aos 17 anos, a maconha já não fazia mais o efeito esperado e decidiu partir para a cocaína.

 

Durante todo o tempo em que esteve envolvido com drogas, Johnny perdeu as amizades, as boas oportunidades nos estudos e, principalmente, a confiança da família. A desconfiança chegou ao ponto de todas as bolsas e os pertences de valor serem escondidos quando ele entrava em casa.

 

Mas com a ajuda da família, que decidiu dar apoio ao tratamento e incentivou a internação, Johnny aceitou ser ajudado e se tratou por nove meses. Para ele, assim como período da gestação, era a criação de uma nova vida. Johnny já sabia que voltar para a sociedade e ser considerado um cidadão comum não seria fácil. Ao chegar em seu bairro percebeu que não era bem visto pela comunidade. As pessoas o olhavam como um criminoso, a família não dava mais a mesma confiança de antes e conseguir o emprego para retomada de sua vida era o desafio maior.

 

Devido a tantas dificuldades Johnny não suportou. Após três meses do término de seu tratamento ele teve uma recaída que fez com que ele usasse o crack e mais cocaína, chegando ao ponto de ir buscar drogas em favelas durante a madrugada ou tentar agredir a mãe, pela falta de dinheiro.

 

Certo dia Johnny estava só em casa, sentiu um vazio dentro de si e refletiu sobre tudo aquilo que acontecia na sua vida. Lembrou do tempo de criança e de todo amor com que era tratado por sua família e sentia saudades da liberdade que tinha de fazer suas escolhas, o que já não podia mais fazer, já que era escravo da sua vontade, dominada pelas drogas. Johnny então pediu a Deus forças para escrever uma nova história.

 

Johnny, por vontade própria, foi então a procura do CAPs ad, um novo serviço de Atenção a Saúde voltada para usuários de drogas, que tinha chegado recentemente em sua cidade. O CAPs ad caiu com uma luva para Johnny, ele não precisava se afastar de sua família para ser tratado. Participava das oficinas e compartilhava experiências com os demais companheiros, preparando-se para enfrentar as mesmas dificuldades de outrora e começar a construir uma nova vida.

 

Veja o vídeo apresentado na oficina através do download nos links a seguir:

 

Tamanho: 14,4 MB

Formato: WMV

Servidores: 4Shared ou ShareX (Link direto)

domingo, 19 de junho de 2011

A REINSERÇÃO SOCIAL DE USUÁRIOS DO CAPS AD: RELATO DE EXPERIÊNCIA

RelatoA seguir, texto elaborado pelo subgrupo de reinserção social do PET-Saúde Metal: Crack, Álcool e outras drogas para participação no Seminário PET-SAÚDE/VS realizado na UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz. Relato baseado em oficina desenvolvida no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPs ad) de Jequié-BA.

 

  • Introdução:

O uso abusivo de substâncias psicoativas é motivo de preocupação dos diversos segmentos sociais e trata-se de um tema que envolve preconceito, uma vez que, frequentemente, a sociedade o associa ao crime e à imoralidade, o que interfere no processo de reinserção social. O objetivo desse trabalho é relatar a experiência de uma oficina sobre os desafios para a reinserção social dos usuários de drogas, realizada por integrantes do Programa de Educação pelo Trabalho Saúde Mental – Crack, Álcool e outras Drogas.

 

  • Material e método:

A oficina foi desenvolvida no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPs ad) de Jequié-BA, em maio de 2011, com treze usuários do sexo masculino, na faixa etária de 25 a 52 anos. O trabalho consistiu em: dinâmica de apresentação; exposição de vídeo com o relato da trajetória de um usuário desde o início do envolvimento com as drogas até o processo de reinserção; confecção de cartazes por parte de cada usuário expressando a compreensão da mensagem do vídeo e a relação com vivências pessoais; exposição dialogada com ênfase nos depoimentos dos usuários a respeito do tema abordado.

 

  • Resultados:

A maioria dos usuários referiu sentir medo de maus tratos e abuso de poder por parte da polícia, de ter uma recaída, de não ser aceito no convívio familiar e social e de não recuperar a confiança das pessoas que o cercam. Relataram ainda que o “preconceito é a pior droga” encontrada na sociedade e que usar drogas significa “perder a democracia”, já que seus direitos como cidadãos são indiretamente limitados. Dizem que um dos maiores desafios a ser enfrentado por eles é a barreira existente na procura de emprego, em função do estigma que sofrem por serem usuários de drogas, mesmo estando em tratamento. Referiram sentir-se satisfeitos por serem bem acolhidos no CAPs ad e que apesar de estarem sujeitos à recaída mantém a esperança de superar o uso de drogas.

 

  • Conclusão:

Os usuários demonstraram o desejo de ser reabilitados e de construir uma nova vida, entretanto, acreditam que o preconceito constitui um obstáculo à reinserção social. Assim, é fundamental a realização de ações que visem a promover o exercício da cidadania e a inclusão social do usuário de drogas.

 

Palavras-chave: Reinserção social. Preconceito. Drogas.

 

Autores: Ângelo de Andrade Rocha1; Danielle Batista Silva Ferreira1; Enne Jamille Brandão1; Julia Ribeiro Veloso1; Luan Gomes Conceição1; Maitana Carvalho Cardozo1; Edite Lago da Silva Sena2; Maria de Fátima Cordeiro Alves3; Patrícia Anjos Lima de Carvalho4; Viviane Santos Souza4. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)-Jequié-BA-Brasil. PET Saúde Mental/Ministério da Saúde (MS). E-mail: petsaudementalsol@gmail.com

1Bolsistas; 2Tutora/Coordenadora; 3Preceptora; 4Professora e Mestranda (UESB), respectivamente (colaboradoras do PET-Saúde Mental).

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Relato - Como o tráfico pode atrair você?

Em mais um relato retirado do site A Casa Caiu, veja como Maria Clégia, hoje, em liberdade, foi atraída pelo tráfico de drogas, e seu relato de quando passou longos anos encarcerada no Conjunto Penal de Jequié.




domingo, 10 de abril de 2011

Relatos - O caminho das más amizades


Jeferson Franklin (hoje, em liberdade) encontrou o caminho ilusório da maconha, cocaína, crack e do cárcere através das más amizades. Assista a entrevista de Franklin, ainda quando estava preso no Conjunto Penal de Jequié.

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