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terça-feira, 28 de junho de 2011

Na “cracolândia” do deserto

Agradeço a nosso colega Dado Galvão - documentarista, coordenador do projeto “A Casa Caiu! O Alerta que Vem do Cárcere”, da Pastoral Carcerária da Bahia, por divulgar esse excelente texto abordando o crack. Nele se discute quais os prováveis motivos que leva uma pessoa a buscar a droga e qual segredo pra uma real superação do crack. O texto ainda incorpora de forma interessante passagens bíblicas no seu contexto. Vale a pena conferir!

Site “A Casa Caiu”: http://www.acasacaiu.org/ – Visite e conheça este projeto.

 

 

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Pesquisa divulgada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) revelou aumento na circulação da pedra de crack no Brasil, e constatou o alcance nacional do crack, disseminado em todas as regiões do país.  O estudo identificou consumo e circulação de crack em 98% dos municípios brasileiros. Dados que explica o porquê do surgimento em diversas cidades, das chamadas, “cracolândias”, (local frequentado por seres humanos dependentes, onde acontecem intenso consumo, e tráfico de drogas).


Segundo informações extraídas do site “Enfrentando o Crack” criado pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (SNPD), questões psicológicas e sociais, como influência do meio, curiosidade pela experiência, são situações que podem levar ao consumo do crack.


“O inicio do consumo do crack pode estar associado a fatores externos, como disponibilidade da droga no momento do uso e influência do tráfico. Traficante costuma esgotar as reservas de outras drogas nos pontos de distribuição e disponibilizar apenas o crack, como forma de aumentar os lucros”.
Visualizando “cracolândias”, pensando, e (refletindo) na pessoa de Jesus, quando foi enviando pelo Espírito Santo, ao deserto, para ser tentado, penso, que o traficante tanto em um “deserto imaginário”, ou na vida real, assume na analogia, a forma concreta de inimigo da vida, (inimigo de Deus).


“O tentador aproximou-se de Jesus e lhe disse: se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se transformem em pães”. (Mt 4-3) Pedras de Crack, “papelotes”, “bocas de fumo” Brasil afora, “alimentam” de forma ilusória, destrutiva, seres humanos de todas as classes sociais, que pelos mais variados motivos do corre-corre da vida, caem em tentação, se afastando de familiares, e amigos, seduzidos pelo tráfico se tornam “noiados”, e entregam suas vidas literalmente ao traficante.


Quantos jovens “tombaram”? Quantos vão “tombar”? Quantas famílias desesperadas? Como cuidar de tantos seres humanos dependentes de crack e outras drogas? A última pesquisa divulgada pelo escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNDOC) aponta que o Brasil tem cerca de 900 mil usuários de cocaína, o país é a principal rota das Américas no trânsito de drogas ilícitas com destino à Europa.


Imaginemos então o filho de Maria de Nazaré, e de José o carpinteiro, sendo tentado por aquele que dá intensa inspiração, ao maldito comércio ilegal das “bocas de fumo”. Em nossa analogia substituímos a palavra “tentador” originalmente contida no texto bíblico, por “traficante”.


“Jesus respondeu ao ‘traficante’ dizendo: está escrito, não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. (Cf. Mt 4-4)

Foi perguntado ao consultor e pesquisador da SNPD, professor José Manoel, “qual é o segredo, a chave do sucesso para uma superação real contra o crack?”
Respondeu o professor: “a vontade de se afastar e permanecer afastado da droga, o apoio social (da família e dos amigos) e um bom sistema sócio-sanitário, que responda às reais necessidades do dependente”.


Não é uma missão fácil abandonar o vicio, e dizer com todas as forças: “retira-te ‘Traficante’!”(Cf. Mt 4, 8-10). Com muita fé, determinação, inspirando-se em Jesus, na sua caminhada pelo deserto, somados a muita resistência, e “orAÇÃO”, será possível superar os efeito, desejos, estragos, causados pela dependência.


Disse dom Hélder Câmara: “É graça divina começar bem. Graça maior persistir na caminhada certa. Mas a graça das graças é não desistir nunca”. Algumas ações importantes vêm sendo realizadas pelas autoridades. Mas diante da dimensão do problema, precisamos rápido de políticas públicas (concretas e eficazes) para combater os estragos causados pelo crack, e outras drogas.


Todos (sociedade e Estado) temos papeis importante na luta contra as “tentações” causadas pelo tráfico, sendo o estado o principal responsável em oferecer ferramentas para que possamos fazer (em parceria) o enfrentamento, com leis e ações, cada vez mais rigorosas para punir traficantes. É necessário, cada vez mais, incentivar a criação de canais para denúncia, dando proteção ao denunciante, e garantindo tratamento público de qualidade aos dependentes.


Podemos (como Igreja) cada qual com seu dom particular, no exercício da (cidadania) contribuir para que seres humanos (em especial os jovens) sejam mais resistentes (sábios), se por ventura, vivenciarem situação semelhante à vivida por Jesus na “cracolândia” do deserto.

 

“Portanto submetei-vos a Deus; mais resisti ao ‘traficante’ e ele fugirá para longe de vós: aproximai-vos de Deus e ele se aproximará de vós”. (Cf. Tg 4, 7-8)
Deixo minha singela contribuição em forma de referências, onde poderemos extrair abundantes, e seguras, informações de ajuda, prevenção e combate ao crack.

 

“Pela estrada foi trilhando a ilusão, num lamaçal de erros já se encontrou, mas sinceramente você é capaz de enfrentar a vida sem se drogar”. (Extraído da música “Coragem”, composição de Walmir Alencar).

 

Referências:
www.brasil.gov.br/enfrentandoocrack (Enfrentando o Crack).
www.cracknempensar.com.br (Crack Nem Pensar).
www.cnm.org.br/crack (Observatório do Crack).
www.acasacaiu.org (Vídeos de prevenção da Pastoral Carcerária da Bahia)
Telefone: 0800 510 0015 (Viva Voz, Orientação Sobre Drogas).

 

Fonte: http://jovensconectados.org.br/artigos/83-engajamento-social/521-na-cracolandia-do-deserto

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Rio no combate as Drogas

Menores usuários de drogas recolhidos no Rio de Janeiro serão obrigados a realizar tratamento contra o vício nos abrigos da prefeitura. A determinação passa a valer a partir da próxima segunda-feira (30) e tem como principal objetivo coibir a expansão das cracolândias pela capital fluminense. Nos últimos dois meses, pelo menos 150 crianças e adolescentes viciados em crack foram retirados das ruas.

Atualmente, a prefeitura do Rio mantém cinco abrigos especializados no tratamento de usuários de drogas em toda a cidade, dos quais apenas um é exclusivo para menores de 8 a 14 anos. Trata-se do centro de recuperação Casa Viva, localizado em Botafogo, zona sul, inaugurado na última terça-feira (24).

Três abrigos estão instalados na zona oeste, dois femininos e um masculino. Já o centro do Rio possui um único centro de recuperação, que atende apenas a mulheres. Segundo a Secretaria de Assistência Social, os cinco espaços oferecem 130 vagas. O número só é considerado suficiente em razão da alta rotatividade.

A prefeitura estima que apenas 30% dos dependentes químicos retirados das ruas permanecem nos abrigos e seguem o tratamento oferecido, que foi elaborado de forma multidisciplinar. Além da fase de desintoxicação e acompanhamento psicológico, os pacientes também têm aulas de educação física, atividades artísticas, entre outros.

Com a nova determinação, o jovem só poderá sair do abrigo quando receber alta da equipe médica - ou se a família provar ao Conselho Tutelar e à Vara da Infância e Juventude que tem tem condições de oferecer a ele tratamento contra o vício. Cada criança e adolescente passará por exames prévios para comprovar a dependência química.

O Ministério Público estabeleceu consenso com a prefeitura do Rio sobre a importância da internação obrigatória, que só se tornou possível a partir de uma nova interpretação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Uma vez que o consumo de drogas pode ser fatal, os órgãos públicos têm o dever de oferecer auxílio para os jovens que sejam dependentes químicos.

  • Assista a reportagem realizada pela Band abaixo:
     
     

Qual sua opinião sobre está ação tomada pelo governo do Rio de Janeiro no combate ao trafico? Deixe seu pensamento nos comentários.
    Fonte: Band.com; Uol notícias

    quinta-feira, 16 de junho de 2011

    Crack verde vendido como "Hulk"

    Traficantes paulistas têm enganado usuários de crack com o que seria uma outra droga, o Hulk. Segundo reportagem divulgada nesta terça-feira (14), no jornal Bom Dia Brasil (TV Globo), o crack disfarçado com este nome vem invadindo as lavouras do interior de São Paulo. 

    Policiais da Delegacia de Entorpecentes apreenderam um adolescente de 13 anos com várias pedras de crack verde, batizado de “Hulk”. A estratégia seria uma tentativa de atrair usuários com uma droga ainda mais poderosa do que o crack. 

    “Nós verificamos que os usuários têm dito que o ‘Hulk’ tem um efeito até maior que o oxi, mas ainda não temos essa confirmação. O que se tem de concreto é o aparecimento, o surgimento desse crack diferenciado para atrair mais usuários”, aponta o delegado Paulo Buchignani, da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) em Botucatu. 

    Para o delegado Reinaldo Corrêa, do Departamento Estadual de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc), a maior preocupação é com os trabalhadores rurais, principalmente os cortadores de cana, pois, assim como aconteceu com o crack, eles consomem a droga e têm a falsa impressão de que estão produzindo mais. 

    “Colhendo mais, ele ganha mais dinheiro e ele vai acabar gastando mais com as pedras. Com o tempo, isso se inverte. Ele acaba perdendo o emprego e acaba batendo na prefeitura do município em que ele está, porque ele vai ter graves problemas de saúde”, alerta o delegado. 

    “Saí da casa de recuperação e tive recaída. Quero mudar de vida. Tenho três filhos que eu amo muito. Quero voltar a trabalhar e dar um bom futuro para eles que eu não tive”, diz o desempregado Michel da Silva.

    Segundo os médicos, quando uma pessoa fuma oxi, o querosene usado na produção da droga provoca náuseas, vômitos, tosse, sensação de sufocamento, tremores e até convulsões. Os vapores de cal, que também entram na produção do oxi, irritam os olhos, provocam perda parcial da visão e cegueira. Ou seja, é uma droga extremamente agressiva e extremamente viciante.


    segunda-feira, 30 de maio de 2011

    Fantástico - Os Efeitos do Oxi




    Programa Fantástico, exibido em 22/05/2011. Nessa edição o programa exibido pela Rede Globo, reservou  uma de suas reportagens para falar sobre o OXI, droga de baixo custo e altos danos, que vem se alastrando pelo Brasil.

    Confira a reportagem em vídeo ou texto.


    http://www.youtube.com/watch?v=Z-MYTwhA4s4

    O crack apareceu nos anos 80 nos Estados Unidos. Nós não tomamos nenhuma medida preventiva. Sequer educamos as crianças. O que aconteceu? A primeira cracolândia se estabeleceu em São Paulo e a droga se espalhou pelo Brasil inteiro. As estimativas são de que existam 1,2 milhão de usuários de crack pelo país. É uma epidemia. Agora surge o oxi. Uma preparação mais bruta, mais barata da cocaína e ainda mais destruidora do que o crack. É difícil prever o que vai acontecer? Nós vamos assistir passivamente à disseminação do oxi pelo Brasil inteiro? Nós não vamos fazer nada?

    "O oxi é um tipo de crack adulterado. Fundamentalmente todos eles vêm da pasta base de cocaína. É fundamentalmente você colocar nesta pasta base ou querosene, ou gasolina ou cal. E você vai transformar de uma forma muito tosca, com uma tecnologia muito tosca, um subproduto do crack, mais adulterado, que tem as características de ser mais barato, mais poderoso, e mais de fácil acesso para o usuário", explica Ronaldo Laranjeira, psiquiatra da Unifesp.

    O oxi entrou no Brasil há sete anos pelas fronteiras que o Acre faz com a Bolívia e o Peru. Ficou restrito ao norte do país até este ano, quando se espalhou por diversos estados. A primeira apreensão de oxi na cidade de São Paulo foi em março deste ano de 2011. É possível que o oxi já existisse antes?

    "Eu acredito firmemente nisso. É muito provável que esse produto já estivesse em circulação pelo menos naquela região da cracolândia há mais tempo", acredita Wagner Giudice, diretor do Denarc.

    Quando você fuma o oxi, o querosene provoca náuseas, vômitos, tosse, sensação de sufocamento, tremores e até convulsões. Os vapores de cal irritam os olhos, provocam perda parcial da visão e cegueira. O oxi queima por onde passa. Boca, garganta, brônquios e pulmões ardem. Você pensa que está fumando cocaína, mas na verdade está se envenenando com querosene e cal.

    "Quando ele vai ser queimado fica o resíduo da não queima de parte da querosene. A fumaça que sai é a fumaça que vai ser inalada. Querosene, cal. E nós temos o resíduo que sobra, uma espécie de uma graxa. O cheiro de combustível pela queima do querosene. A sobra é esse líquido oleoso, conhecida como oxi ou oxidado porque ele fica realmente oxidado", explica um delegado.

    "Eu acredito que o oxi pode alcançar muito rapidamente os consumidores de crack. O crack alcançou mais de 90% das cidades brasileiras por ser uma droga conhecida como barata. O oxi é mais barato do que o crack", acredita Wagner Giudice, diretor do Denarc.

    "Fizeram uma pesquisa de um ano com cerca de cem usuários e constataram que, em um ano, 30% desses usuários acabaram morrendo em razão dos efeitos dessa droga lá no Acre. Hoje, o oxi chega em uma zona onde o pessoal já está com graves problemas de saúde. A maioria dos que estão na Cracolândia sofre de AIDS, sofre de tuberculose, e, por incrível que pareça, sarna, em razão da promiscuidade que eles estão vivendo. Então o oxi entrando em um campo desses realmente vai causar mais malefícios", alerta Reinaldo Corrêa, delegado do Denarc.

    Marcos Antônio é um usuário de oxi e crack em tratamento. A dependência o fez roubar objetos da família e morar na Cracolândia.

    "Passei três noites lá. Eu vi crianças de 7 anos de idade na fissura, ameaçando pessoas para dar um trago. Por ele ser muito barato, está entrando como uma avalanche no mercado. Lá na Cracolândia você compra trago por R$ 0,50. A gente se sente uma escória, a gente se sente um verme ali",
    conta Marcos. "Vi que eu precisava me internar no momento em que vi meus filhos abandonados. Tenho duas filhas adolescentes."

    Uma droga devastadora como o oxi destruirá um número incalculável de usuários e famílias. Dependência química não é caso de polícia. É doença que precisa ser enfrentada com medidas preventivas e assistência médica para tratamento dos dependentes. Estamos diante de uma tragédia anunciada: o oxi. Ainda dá tempo para reagir.

    domingo, 8 de maio de 2011

    Conexão Repórter - OXI, Uma Droga que Ameaça


    Programa Conexão Repórter, exibido em 11/11/2010. Nessa edição o programa exibido no SBT teve como tema: OXI, Uma Droga que Ameaça.

    Conexão Repórter apresenta uma investigação inédita e exclusiva sobre uma nova droga que ameaça o país: o Oxi. Roberto Cabrini e sua equipe percorrem as fronteiras do Brasil e mostram que droga é essa, como ela funciona no organismo, porque está avançando rapidamente no Brasil e como entra no território nacional.
    Confira o programa em 4 partes nos vídeos a seguir:









    No site do Conexão Repórter você também encontra um texto com a reportagem na integra alem de outras informações.

    Vale a pena conferir!

    sexta-feira, 6 de maio de 2011

    A propagação do Oxi pelo Brasil

    Mais forte do que o crack, óxi chega a São Paulo após se espalhar por dez Estados

    Do UOL Notícias 

    Ainda desconhecido pela maioria da população, o óxi ou oxidado, uma droga parecida com o crack, só que mais devastadora, já se espalhou por dez Estados do país e recentemente chegou a São Paulo. Assim como o crack, o princípio ativo do óxi é a pasta base da folha de coca. Enquanto o crack é obtido a partir da mistura e queima da pasta base com bicarbonato de sódio e amoníaco, no óxi são utilizados cal virgem e algum combustível, como querosene, gasolina e até água de bateria --substâncias que barateiam o custo do entorpecente.

    O óxi é inalado ou fumado, assim como o crack, na lata ou no cachimbo. A droga é produzida na Bolívia e no Peru e começou a entrar no Brasil em 2005 pelo interior do Acre. Em pouco tempo, chegou a Rio Branco, onde atualmente há um número elevado de usuários, e se espalhou para outras capitais da região Norte, como Manaus (Amazonas), Belém (Pará), Macapá (Amapá) e Porto Velho (Rondônia).

    Nos últimos meses, houve apreensões e registros de usuários em Goiás, Distrito Federal, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Piauí --onde foram confirmadas 18 mortes só neste ano por conta do uso do óxi. Há rumores da circulação da droga no Mato Grosso, Maranhão e Paraná, embora não haja registros oficiais.

    A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), subordinada ao Ministério da Justiça, informou que pesquisadores do órgão registraram a circulação da droga em Santos (SP), mas não forneceu mais detalhes. Na capital, não há registros de usuários de óxi no SUS (Sistema Único de Saúde), segundo a Secretaria de Estado da Saúde. A Secretaria Municipal da Saúde da capital paulista, que faz um trabalho com usuário de drogas na Cracolândia, região central, também afirma não ter encontrado a droga.

    Oficialmente, o Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos) da Polícia Civil ainda não fez apreensões da droga. Segundo o órgão, no entanto, o óxi já pode ter sido apreendido, mas não foi diferenciado em razão de sua semelhança com o crack. A maior diferença na aparência entre as duas drogas é a cor mais amarelada do óxi, enquanto a pedra do crack é mais clara.


    • Composição da droga  

    - Pasta base da folha de coca

    - Cal virgem

    - Combustível, como querosene, gasolina e até álcool de bateria


    O delegado Reinaldo Corrêa, da Divisão de Prevenção e Educação (Dipe) do Denarc, cita um episódio ocorrido em março deste ano, em que foram apreendidos 200 kg de crack em um laboratório no Ipiranga, zona sul de São Paulo. Na ocasião, a polícia prendeu oito mulheres contratadas em Alagoas para empacotar a droga, além de seis homens que compravam a droga no atacado na Bolívia. Na época, o Denarc anunciou que a apreensão era de crack, mas segundo Corrêa, tudo indica que, na verdade, tratava-se de óxi.

    “Os investigadores queimaram algumas pedras para analisar o material e a substância soltou uma espécie de óleo, que é um resíduo do querosene do óxi que o crack não solta. Só foi registrado como crack porque os investigadores não sabiam da existência do óxi. Agora, qualquer coisa que a gente apreender, vamos ficar de olho”, afirmou o delegado.

    Ainda segundo Corrêa, pedras estão sendo vendidas na cracolândia por R$ 2 a R$ 5, valor inferior ao que normalmente o crack é comercializado (entre R$ 7 e R$ 10), o que pode ser um indício do comércio de óxi. Também há relatos não-oficiais de uso de óxi na região da avenida Jornalista Roberto Marinho, na zona sul da capital. “Se olharmos o percurso da droga, o próximo destino é São Paulo, que é o grande centro
    consumidor de crack. Nada impede que o óxi chegue aqui”, disse.


    • Efeitos e danos ao organismo

    A pasta base é feita a partir da trituração da folha de coca, encontrada nos países andinos (Bolívia, Peru, Colômbia e Equador). Para obter a pasta base, utiliza-se ácido sulfúrico e outros componentes tóxicos. No óxi, a pasta base é misturada com combustível e cal virgem, componentes corrosivos e extremamente danosos ao organismo.

    A droga inalada chega ao cérebro entre 7 e 9 segundos, apenas, e acelera o metabolismo do usuário, causando sensações de euforia, depressão, medo e paranoia. Diferente da cocaína, os efeitos duram pouco tempo, no máximo 10 minutos. Essas circunstâncias obrigam o drogado a inalar o óxi repetidamente para manter o “barato”, o que aumenta as agressões ao organismo.

    De acordo com o psiquiatra Pablo Roig, diretor de uma clínica particular de recuperação de drogados, o que torna o óxi mais letal que o crack é, em primeiro lugar, os componentes adicionais --cal e combustível-- e, em segundo, a quantidade do princípio ativo da cocaína, que no óxi é de 60% do composto, um pouco superior ao encontrado no crack.

    “São substâncias com alta toxicidade, que causam dificuldades na respiração, fibroses e endurecimento do pulmão. Afetam o sistema cardiorrespiratório e promovem uma vasoconstrição muito intensa. Muitos usuários têm perda de consciência, o que leva a uma parada cardíaca e ao coma”, afirma o médico.

    A maioria dos usuários intercala as inaladas com doses de álcool para controlar a sensação de abstinência causada pela droga, o que ataca o fígado e o sistema digestivo, fazendo com que os usuários tenham diarreia e vômito. Muitos usuários de óxi apresentam aparência amarela por conta dos efeitos da droga no fígado.

    “O álcool com a substância da cocaína forma o cocaetileno, que pode provocar esteatose hepática (gordura no fígado) e cirrose”, diz Roig. O cocaetileno também é uma substância tóxica para o miocárdio, o que pode também provocar morte súbita.

    Ainda não há um estudo sobre a letalidade do óxi. Nos próximos dias, a Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com o Ministério da Justiça, divulgará um amplo estudo sobre o crack que também deve abordar o óxi. No entanto, segundo o delegado do Denarc, em média 30% dos usuários da droga não sobrevivem após um ano de uso.
     

    quarta-feira, 30 de março de 2011

    Sinais e consequências do uso do crack

    O usuário de crack apresenta mudanças evidentes de hábitos, comportamentos e aparência física. Um dos sintomas físicos mais comuns que ajudam a identificar o uso da droga é a redução drástica do apetite, que leva à perda de peso rápida e acentuada – em um mês de uso contínuo, o usuário pode emagrecer até 10 quilos. Fraqueza, desnutrição e aparência de cansaço físico também são sintomas relacionados à perda de apetite.

    É comum ainda que o usuário tenha insônia enquanto está sob o efeito do crack, assim como sonolência nos períodos sem a droga. “Os períodos utilizando a droga prolongam-se e os usuários começam a ficar períodos maiores fora de casa, gastando, em média, três dias e noites inteiros destinados ao consumo do crack. Neste contexto, atividades como alimentação, higiene pessoal e sono são completamente abandonadas, comprometendo gravemente o estado físico do usuário”, afirma o psiquiatra Felix Kessler.

    Sinais físicos como queimaduras e bolhas no rosto, lábios, dedos e mãos podem ser sinais do uso da droga, em função da alta temperatura que a queima da pedra requer. “Também se notam em alguns casos sintomas como flatulência, diarréia, vômitos, olhos vermelhos, pupilas dilatadas, além de contrações musculares involuntárias e problemas na gengiva e nos dentes”, aponta Fátima Sudbrack, coordenadora do Programa de Estudos e Atenção às Dependências Químicas (Prodequi) da Universidade de Brasília (UnB).

    Comportamento

     

    Falta de atenção e concentração são sintomas comuns, que levam o usuário de crack a deixar de cumprir atividades rotineiras, como freqüentar trabalho e escola ou conviver com a família e amigos. “O dependente apresenta algumas atitudes características, como mentir e ter dificuldades de estabelecer e manter relações afetivas. Muitas vezes apresenta comportamentos atípicos e repetitivos, como abrir e fechar portas e janelas ou apagar e acender luzes”, afirma Laura Fracasso, psicóloga da Instituição Padre Haroldo.

    O usuário de crack também pode experimentar alucinações, sensações de perseguição (paranóia) e episódios de ansiedade que podem culminar em ataques de pânico, por exemplo. Isolamento e conflitos familiares são comuns. O dependente pode, ainda, passar a furtar objetos de valor de sua própria casa ou trabalho para comprar e consumir a droga. “O humor pode ficar desequilibrado em função do uso ou falta da droga. O usuário alterna entre estados de apatia e agitação”, diz Fátima Sudbrack.

    terça-feira, 1 de março de 2011

    Profissão Reporter - Crackolandia

    Está foi mais uma das reportagens do programa Profissão repórter, exibido em 16/11/2010, a matéria vem mostrar o que todos nós já sabemos, a triste realidade cada do crack vez mais comum em nossa sociedade. Mas a pergunta é: o que você tem feito? Muitos dizem que são incapazes de mudar a realidade, isso só vem comprovar que é mais fácil fechar os olhos e conformar-se do exercer uma ação efetiva contra essa realidade assombrosa que é o crack.








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